sábado, 20 de abril de 2019

A sutil diferença entre o ouve e o houve

         Há dez anos atrás, coisa que nunca havia passado pela minha cabeça, fui convidado para escrever periodicamente no extinto Jornal de Limeira. Entre receio e medo, fiquei com ambos, mas aceitei o desafio e o tempo foi mostrando uma certa empatia com um público desconhecido até então por mim. Misturei crônicas de cunho pessoal, causos acontecidos e críticas políticas e de fatos. Mais tarde com o fechamento do jornal, fui convidado por este, Tribuna de Limeira, no qual estou há quatro anos.

       Talvez em razão de, em ambos, jamais terem tentado a exercer qualquer tipo de censura aos meus escritos, nem de forma, nem de conteúdo, nem de termos, sempre estudei os acontecimentos, perguntei para pessoas, visitei locais, pesquisei antecedentes e, principalmente, acatei e o inseri no contexto. Tudo para fornecer claramente todas as faces do fato para o meu leitor e dar convicção das coisas para ele.


       Ontem vi uma postagem numa rede social, onde uma amiga faz referência a uma colocação do espetacular Oswald de Andrade (escritor e dramaturgo brasileiro): “A gente escreve o que ouve, nunca o que houve!” e a tomei como uma premonição do que estaria acontecendo nos tempos de hoje. Ainda num clima de descobertas do poder das redes sociais, da liberdade e oportunidade proporcionada por ela a todas as pessoas e ainda acirradas por esta polarização gerada nas eleições passadas, cada um se acha no direito de postar qualquer coisa, muitas vezes por mecanismos de repasse, sem qualquer análise, pesquisa, coleta de informações. Radicalismos de todo ordem e lado, grassam por toda a rede induzindo as pessoas a erro e a crenças duvidosas. Basta ver o caso do médico inglês que lançou a falsa crença de que vacinas causam problemas para crianças, tão viralizada na internet e que tantos problemas está criando nos países do mundo todo (farsa já comprovada por seus colegas e por associações médicas).


       Quando lancei meu segundo livro minha amiga Andréa, que o prefaciou, comentou que o primeiro volume era diferente, pois aquele era mais pessoal, mais amoroso, mais amigo, mais sincero, tinha mais empatia, era mais gostoso de ler. Pensando sobre isso, acho que estou me afastando de um velho sonho de ainda escrever mais um livro, mas agora tem que ser um romance. Não sei se tenho competência, já que meu mundo literário, até agora, foi de crônicas, mas acho que a gente não deve tentar se afastar dos nossos sonhos, quero falar de esperança, de cumplicidade, de amor mesmo. Acho que estou ficando velho.



       Portanto gostaria de agradecer a atenção dos meus leitores da Tribuna de Limeira pela carinho, atenção dedicados a mim durante todo este tempo e aos diretores do jornal, também, pelo tratamento sempre cordial, profissional, cortês dados na recepção e publicação dos meus artigos. A partir de hoje passarei apenas a postar meus escritos no meu blog (abaixo) e pretendo me dedicar a reunir material para meu próximo livro (um sonho), mas agora tem que ser romance, não sei se terei competência.


Sérgio Lordello

4 comentários:

Unknown disse...

Parabéns, sucesso na nova empreitada.

Unknown disse...

Uma vez um bom mestre, sempre sera um bom mestre!
Parabéns! Vamos sentir saudades das suas colunas no jornal!

Terence disse...

Com certeza será um sucesso!!
Parabéns pela trajetória e sucesso nos novos desafios.

Unknown disse...

Parabens e sucesso sempre....