terça-feira, 22 de outubro de 2013

Limeira era grande produtora de calçados

(www.inspiramais.com.br)

         A turma se reúne toda sexta no café do Sempre Vale. A grande maioria é de aposentados, outros querendo chegar lá e poucos mais jovens. Na última reunião o assunto era as mudanças na economia do município com o decorrer do tempo e é lógico que desfilaram os nomes da Machina São Paulo, Fumagalli, Varga, Zacharias, Lucato, D’Andrea, Rocco, até que alguém se lembrou de que Limeira já teve uma forte indústria calçadista, de fazer frente às de Franca e Jaú.
         Então começamos a prospectar o passado em busca desta história já que todas elas hoje já não existem mais. A lembrança mais remota ali na mesa remonta a esquina da Rua Barão de Campinas com a Rua Carlos Gomes, onde nasceu a Calçados Buzolin, a primeira delas e que mais tarde transferiu-se para o arrojado prédio, falando arquitetonicamente, na avenida que hoje leva o nome de uma das pessoas da família. Essa deve ter sido a precursora da mão de obra especializada do setor que deu suporte para o aparecimento das demais.
         Logo depois surgiu a Ferreira Viana Feres Calçados, ali bem na frente do antigo Bar do Moacir (Rua Cunha Bastos), onde havia o disputadíssimo cuscuz da Zifa. Dizem que era motivo de muita inveja dos homens da sociedade que não eram convidados para seu jantar anual. A empresa, no entanto, se dividiu com a saída de um dos sócios que fundou outra firma, a Antônio Feres Calçados, lá na Boa Vista e que mais tarde mudou de nome e de lugar: Calçados Atlântida na Rua Cunha Bastos. Também contemporânea existia a Vely Calçados na esquina das ruas Cunha Bastos e Presidente Roosevelt.
         No alto da Rua Senador Vergueiro havia a Camilo Ferrari Calçados que anos mais tarde veio adquirir a Calçados Buzolin e transferiu-se para a sede da mesma. Também uma empresa gigante da cidade veio diversificar sua produção, já que era uma das líderes no país na fabricação de chapéus, passando a fabricar também o produto. Era a Companhia Prada que partiu para a produção de calçados finos, assim como a Ferrari. Além dessas consideradas grandes, havia as várias menores, mas com um volume considerável, juntas: Sthal (sandálias) na Vila Camargo; Piccinato (sapatões) no Largo de São Benedito e De Carli (sapatões e chuteiras) na Rua Sete de Setembro, perto do Mercado Municipal.
         O pessoal na mesa do Café estima que tal indústria empregasse quase duas mil pessoas e a mão de obra era formada pelas próprias empresas, mas os salários melhores do setor metal-mecânico de Limeira, o não investimento em escolas técnicas, como o SENAI fez em Franca e Jaú, e a concorrência internacional, determinaram a extinção do ramo na cidade.
         Hoje fica apenas a saudade de um setor que já foi tão prospero na cidade e que também se foi.


Sérgio Lordello

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