sexta-feira, 11 de março de 2016

Este não é o país que eu quero



        Sabe meu amigo, amanhã vou mudar minha rotina de domingo, almoçar mais cedo, dormir um pouquinho, colocar uma camisa verde-amarela, munir-me de uma pequena bandeira brasileira e dirigir-me à praça para a passeata. Não vou lá só para pedir o impeachment da Dilma ou gritar “fora PT”, não. Eu quero estar lá para demonstrar toda a minha indignação para com toda a classe política, independente da sua filiação partidária, pelo que eles fizeram com o meu país desde sempre.

        Eu não quero mais que eles fiquem ricos no final de seus mandatos, não quero que tenham esta maldita imunidade parlamentar que lhes garante a sua impunidade mesmo diante de crimes hediondos como roubar a merenda das crianças, não desejo mais que tenham plano de saúde do Albert Einstein, pago com o nosso dinheiro, enquanto mandam o povo, que deveriam representar, para as filas do SUS pegarem senhas para nunca serem atendidos. Eu aspiro que nossas crianças e jovens, cursem também escolas boas, cursos importantes, como as dos filhos deles. Eu não quero ficar largado numa maca nos corredores abarrotados de um hospital sem assistência. O que eu quero mesmo é que eles deixem de usufruir o que é do povo.


        Foi lá no pátio do Grupo Flamínio, quando criança, que me ensinaram a amar a minha pátria, cantar o seu hino, venerar a sua bandeira e respeitar a sua população. Foi com o comportamento e exemplos dos meus pais e irmãos que aprendi a honrar meus compromissos com minha nação e seu povo. Foi com esta base que procurei mostrar, ano após ano, aos meus alunos, que existe o caminho da justiça, do respeito, da honra, do amor ao próximo e que temos sempre um compromisso com os demais cidadãos.


        Vou lá no domingo para mostrar que não quero perceber um novo preço a cada vez que vou num supermercado, que o financiamento da “minha casa” não existe mais, que a mensalidade da escola do meu filho não está mais acessível, que uma doença grave não pode esperar meses por uma consulta e muito menos que meu salário não vai chegar ao fim do mês, pois perdi o meu emprego.


        Vou lá indignado porque eles zombaram de toda a população, mentiram sobre a real situação do país, incentivaram um consumismo exagerado, faltaram com respeito a quem deveriam representar. Sei que para as minhas filhas não será mais possível deixar como herança um país sério, honesto, justo, mas quero que minhas netas saibam que seu avô lutou, participou, brigou para que elas tivessem isto. Acredito que a omissão de todos nós é que permite que tais coisas aconteçam.

Sérgio Lordello
Professor




Um comentário:

Lenice Monteiro Arruda disse...

Gostei muito da crônica , e dou todo o meu apoio `as sua palavras !
Acho certíssimo seu empenho em manifestar o apoio `a uma causa , que ficará marcada na história recente
do Brasil , para a posteridade, o dia em que a população , cansada de tanta corrupção , prepotência e falta ética,deu um BASTA !!!
Não conhecia seu blog , e sou solidária à sua manifestação , pois considero que , o empenho em deixar seu testemunho , nestes tempos tão incertos e cheios de ódios , serão um tesouro que sua netas terão o orgulho de preservar . Parabéns !