quinta-feira, 26 de março de 2015

Bacia turca


         Todos nós estamos enojados com a criatividade rasteira dos políticos no país. Um escândalo atrás do outro, cada dia se descobre uma nova falcatrua, até a contagem da moeda mudou em sua ordem de grandeza na era petista, de milhões de reais para bilhões. Fico imaginando uma possível reunião no inicio do primeiro mandato, sem testemunhas e sem celulares ou gravadores, com o grupo de sequazes traçando estratégias para manutenção no poder por infinitos anos, com listas das estatais, fundos de pensão, possíveis obras de grande porte, por ordem de faturamento (ou reservas), quantidade de cargos, cronograma de eventos políticos, partidos vulneráveis.
Talvez utilizando as metodologias PES e ZOOP, bastante conhecidas na nossa região, teria sido traçado um cronograma com datas, responsáveis, quantias, locais. Até nomeações em órgãos de controle teriam ficadas estabelecidas em caso de algum sobressalto e também a técnica da negação para confundir a opinião pública: mãos à obra.
         Nada poderia atrapalhar num país como o nosso. Povo cordato acostumado a ver a impunidade estar sempre presente, só os peixes pequenos serem presos: tudo seria muito fácil. Mas de repente o tal de Roberto Jefferson, político ligado ao PTB, amiguinho do governo, não gostou de alguma coisa lá no congresso (quantia, divisão com mais pessoas, sabe Deus) e falou para todo mundo que seus colegas recebiam pagamentos extras, por baixo do pano, para votarem tudo o que o governo queria. Para piorar ainda mais, o processo aberto caiu nas mãos de um negro de saco roxo, que estava na lista de cima (para o governo fazer média com a minoria negra do país) e acreditava mais nos seus princípios de honestidade. Conseqüência: pela primeira vez levou os mais altos mandatários do país atrás das grades.
         Um fato aumentou mais ainda os problemas do governo sobre aqueles planos: a Lei Anticorrupção, assinada em agosto de 2013. Em março de 2014 a Policia Federal foi investigar uns doleiros do interior, donos de postos de gasolina, por lavagem de dinheiro, foram puxando o fio da meada e descobriu um mega sistema de corrupção envolvendo as maiores empreiteiras do país, políticos pertencentes à linha direta de sucessão do país, os maiores partidos e podendo chegar ao centro do poder.
         Muitos foram presos, outros estão passando uma temporada nas suas mansões, tomando sol com uma tornozeleira eletrônica. Outros fizeram a delação premiada para diminuir as penas e as grandes empreiteiras sinalizaram com o acordo de leniência.
         Semana passada o juiz do processo mandou uma turma para o presídio de Curitiba e a televisão mostrou as instalações bem diferentes das da casa deles, mostrando a “bacia turca” para fazerem suas necessidades. Juro por Deus, fiquei com “uma dó” deles.


Sérgio Lordello


Um comentário:

Luciana disse...

Ótimo texto! Acredito que eles se reuniam naquela mansão de Brasília para traçar a estratégia de ataque aos cofres públicos. Lembra do caseiro Francenildo?