quinta-feira, 28 de agosto de 2014

O showman limeirense



         Era uma farra para a molecada. Comer fora quando eram crianças só havia um lugar: Master Chicken, pois lá estaria o Joaquim para entretê-las com suas brincadeiras, adivinhações, acertos, gincanas com os apetrechos que possivelmente haveria nas bolsas das mães. Os pais adoravam, pois estariam livres delas por um bom tempo. Era diversão garantida para toda a família.
         Ainda hoje, sempre rindo, contando piadas, com alguns artefatos próprios de mágicos, tem sempre uma história na ponta da língua para alegrar o ambiente. Nome das pessoas, para ele não existe, pois sempre arranja um codinome para cada um dos frequentadores do Barzão, por exemplo: o Dalfré é o Raul Gil; o Júlio é o Fabio Junior; Jair, o Borboleta ou ainda Paulinho Gogó; Jairo, o Tinta; Martinatti é o Mário Covas; Paulo Muleta e assim por diante. E lógico, a reciproca também é verdadeira, pois todos lá se referem a ele como “Meia Meia” e eu nem imagino ainda o porque.
         Todo dia, estaciona estrategicamente a sua Belina em algum ponto próximo da turma na pracinha, aciona o alarme da porta, mas não a trava, propositalmente. É o sinal para quem estiver próximo ir sorrateiramente até o veiculo e disparar o alarme. Imediatamente lá vem ele, todo esbaforido, perguntando sobre quem seria o engraçadinho responsável por tal arte. Todo santo dia é assim.
         Vira e mexe faz algum bico como churrasqueiro em algumas festas, mas eu diria que sua atuação não se limita apenas com as carnes. Lá chegando espalha cartazes manuscritos (ô letrinha feia) pelas paredes com charadas para as pessoas matarem, depois cuida da fome do pessoal com sanduiches fatiados, nos quais acrescenta, sabiamente, tudo o que encontra por perto como: saladas; queijos; pimenta e até banana, cada um com seu sabor característico. Depois se junta à criançada entregando chicletes ao primeiro que acertar suas perguntas ou ainda advinhar o número de seu dado mágico. Logo após, envolve os pais pedindo que a molecada traga correndo, por exemplo, um batom, clips, pente masculino, fotografia da avó, caneta tinteiro, lógico que quanto maior a dificuldade, maior é o número de chicletes entregues.
         Capítulo à parte é sua rifa semanal: vende seus números por toda à cidade e sempre a encerra no domingo de manhã lá no Barzão sorteando os quatro prêmios (três pernis e um copo d’água). O problema é que as pessoas anotam os seus nomes com letras piores que de médicos prescrevendo receitas, no entanto temos o Neguinho, especialista em grafologia, que geralmente consegue desvendar os hieróglifos, mesmo sob os nossos protestos.
         Gente simples e boa, Joaquim não perde oportunidade de servir todas as pessoas que puder. No meu sexagésimo aniversário, convidei-o a participar da festa junto com os demais amigos e não é que, de repente, vejo-o com seus chicletes e toda a criançada em volta tentando responder as sua perguntas como se estivesse trabalhando. Grande camarada.


Sérgio Lordello



2 comentários:

Luiz Ricardo Bastos disse...

Bela crônica Sérgio Lordello. Um grande abraço,

Eliane Antunes disse...

Ontem estive num restaurante e um senhor divertiu meu filho "retirando dele" uma pedrinha de um lugar inusitado "sensurado", foi a sensação da noite pro meu filho. Imediatamente me lembrei do Joaquim do masterchiken e da minha doce infância, dos meus pais e irmãos e de dias felizes. Obrigada Joaquim por ter marcado minha memória!!! Grande abraço.