quinta-feira, 10 de abril de 2014

Não é bem assim

(teologiafacil.com.br)

         - Pô Serjão, você só conta histórias de boteco!!!!
         Quando ele falou isso no café de toda sexta-feira que tomamos no Sempre Vale, logo depois da crônica sobre a Ludmila, imediatamente lembrei-me de uma conversa há muitos anos com minha irmã Maria Silvia sobre os grandes autores de crônicas e ao citar os meus preferidos, entre eles Veríssimo, Rubem Braga, Pratinha, ao nome do baiano João Ubaldo Ribeiro ela disse que não gostava deste por ser muito “cachaceiro”. Fiquei preocupado: será que meus leitores me classificariam assim também? E a dona Neiva, minha primeira fã, o que será que pensa disso?
         Confesso que a maioria de meus artigos foi inspirada nos frequentadores de botecos, ou nas narrativas vividas no Cotil, por pessoas que dificilmente serão pacientes do Dr. Aníbal ou da Dra. Solange Dantas, mas tenho também histórias muito mais sérias como as daquele ano em que o Pena e eu resolvemos conhecer todas as igrejas da cidade. Para tanto marcamos que toda sexta, por volta das dez horas da manhã, sairíamos à procura de uma delas.
         Começamos pela de Nossa Senhora de Lourdes, no bairro N.S. das Dores, moderna, com grandes janelas de vidro, ampla, própria para a grande quantidade de fiéis do lugar. A próxima foi a de Santa Edwiges, no Jardim Presidente Dutra, perto da rotatória reformada pela prefeitura recentemente. Foi lá que a dona Alzira, muito gentil, nos explicou sobre a saga da santa, despojando-se de toda sua riqueza para cuidar dos necessitados. E assim foram várias delas na sequência: Santa Luzia (do saudoso Padre Maurício) na Vista Alegre, Nossa Senhora da Aparecida na Vila Queiroz, Nossa Senhora do Amparo perto do Jornal de Limeira, Santo Expedito na Granja Machado e até uma que não existia ainda, a de Frei Galvão, bem próxima do Limeirão.
         Depois de percorrermos quase toda a cidade, resolvemos ir também às vizinhas, como a de Jesus Crucificado em Iracemápolis, linda, muito bem cuidada, com seu alto falante anunciando as mortes ocorridas, ou à de Nossa Senhora da Assunção no Bairro Cascalho em Cordeirópolis, também maravilhosa, com seu ótimo salão de festas, talvez responsável pelo sucesso das grandes festas que por lá acontecem. Também a caminho do rancho, fomos visitar a de Nossa Senhora do Patrocínio, em Araras, única que pode ser chamada, arquitetonicamente falando, de basílica na diocese de Limeira.
         Num outro dia, após visitarmos a de Nossa Senhora das Vitórias, ali no caminho para Mogi-Mirim, tivemos o mesmo diálogo de sempre: “E agora Pena, depois de já termos visitado a igreja de toda sexta, aonde vamos?”.
         - “Que tal uma passadinha no Bar do Galo, lá nos Pires”- ele disse.


Sérgio Lordello


Um comentário:

Luiz Bastos disse...

Muito boa, Sérgio! A ordem dos fatores não altera o produto. O importante é o final! KKKK!