domingo, 28 de maio de 2017

Vade retro Satanás!!!



       Grandes mudanças nas leis, no código civil, criando a guarda compartilhada, união estável, casamentos entre pessoas do mesmo sexo, separações consensuais, tudo isso legitimando situações que na prática já acontecem, mas que a sociedade fecha os olhos enquanto estiver somente acontecendo nas famílias dos outros. Hoje, até mesmo pensões, planos de saúde já se movimentam no sentido de se adequar a uma nova realidade que já se faz solidamente presente.


       Dias atrás coloquei o Marcelo, presidente do Nosso Clube, numa situação difícil. Como muitos avós “modernos”, tenho duas netas que moram em casa, frutos de uma solução de guarda compartilhada. As duas tem os seus espaços próprios, dividimos as lições de casa, a ida e volta da escola, os passeios no shopping, a confraternização das duas famílias nos aniversários e todas as coisas que se divide em família. Para nós é muito gratificante tê-las junto, para percebemos os erros que cometemos na educação dos próprios filhos, além preencherem com muita qualidade a grande disponibilidade de tempo da aposentadoria.


       Porém, um clube social (qualquer que seja) representa, como representou nos tempos de criança das minhas filhas, um espaço importante na formação delas. Lá que constituíram suas turmas de amigos, lá que desenvolveram habilidades esportivas, tiveram as primeiras paqueras, quem sabe o primeiro beijo. Enfim um clube é extremamente importante no desenvolvimento desse pessoal que hoje se dividem entre duas famílias, que tem que se ocupar nos espaços próprios das duas origens, mas com o prejuízo de não poderem acompanhá-las.


       Mas voltando ao constrangimento do Marcelo, entrei com um pedido para que se abra uma discussão para alterações no estatuto, modernizando-o admitindo netos dependentes dos avós e poderia também incluir as novas situações como: casais não formalizados legalmente; também os homoafetivos; adequar o direito dos novos sócios remidos às novas expectativas de vida e etc.


Fico imaginando ele, como um Messias, explicando aos demais membros da diretoria a oportunidade do clube se adequar à estas novas realidades, da mesma forma que, tempos atrás, os nossos clubes de futebol demoraram para admitir negros entre os seus jogadores. Assim como lá, ele provavelmente ouvirá alguma voz dizendo:
- Vá de retro Satanás, aqui não!





Sérgio Lordello

Um comentário:

MaRy disse...

Excelente! Gostei tanto que compartilhei.