sábado, 1 de abril de 2017

Quem precisa de onibus?




       A maioria das pessoas imagina que quem precisa  usar ônibus é somente a população de baixa renda. Mas a verdade é muito diferente do que pensam: todos nós dependemos também de um bom serviço de transporte coletivo desde o empresário para que seus funcionários cheguem no horário do trabalho, o comerciante, que além do empregado, também quer que seus clientes estejam em seu estabelecimento comprando. As madames das classes alta e média necessitam que suas empregadas preparem as refeições e façam a faxina diária. Enfim todos nós que nos deslocamos na cidade precisamos do sistema para que, pelo menos, os congestionamentos sejam suportáveis.

       Só que o sistema em Limeira está numa situação crítica e deve entrar em colapso muito brevemente se não se fizer um pacto entre Prefeitura, empresas,  vereadores, imprensa, população, sindicatos e mudar toda a conceituação dele. Só para se ter uma ideia existe um índice chamado IPK (equivalente) que mede o número de passageiros transportados por quilometro que efetivamente pagam e é com ele que se define o valor da tarifa, quanto maior menor o seu valor. No início dos anos 2000 tal índice era 1,7 e se fazia todo o esforço para que não chegasse em1,5. Outro dado que exigia bastante atenção era a gratuidade que girava em torno de 17%

       Hoje, depois de quinze anos, o IPK está em 1,1 e a gratuidade atingiu a espantosa marca de 40%. Não há sistema que sobreviva com tais taxas. Mas como chegaram a este nível? Duas medidas altamente demagógicas e inconsequentes foram tomadas: uma, conceder gratuidade para idosos com menos de 65 anos e outra, agraciar estudantes com uma tarifa simbólica de R$1,00. Não se pode mais admitir a cessão de benefícios sem se estabelecer uma fonte de financiamento específica e se impor critérios sociais para tal concessão.

       Outro ponto significativo para este caos instalado é a disputa por trabalhadores que usam o sistema utilizando-se do vale transporte. Este público é o filé mignon das concessionárias, pois estas recebem antecipadamente o valor integral da tarifa, tem fidelidade de presença. Mas existem no mercado as empresas de fretamento, concorrentes diretas neste tipo de passageiro, com veículos melhores, ar condicionado, frota adequada e uma relação muito mais profissional entre contratante e contratada.

       Em resumo: o sistema de transporte coletivo de Limeira corre sério risco de se inviabilizar, então não é hora de discursos oportunistas no plenário da Câmara, verbalizações destemperadas em microfones de meios de comunicações, comentários ácidos feitos em jornais. Temos sim que unir esforços, colaborar com as autoridades para que encontrem a melhor solução, não é hora de se fazer política.


 Sérgio Lordello 

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