sábado, 11 de fevereiro de 2017

Modernidades


         Que o mundo está ficando de ponta cabeça, isto está. Não estou falando das condições climáticas, efeito estufa, nada disso. Digo no relacionamento das pessoas, entre familiares, amigos, sexos diferentes, autoridades, professores, tudo está mudando numa velocidade incrível e por mais que tentemos entender, não conseguimos. Acho que o pior problema para nós é buscarmos exemplos em situações parecidas vividas por nós anteriormente em ligações de amizade profissional, familiares, afetivas, mas que diante de novos atores, não refletem necessariamente as mesmas verdades.
        Para nossa turma, que vivemos na era dos “enta” (quarenta, cinquenta...), as nossas verdades eram inabaláveis, ou pouco mutáveis e o pior: íamos até o fim em nossas crenças. Tomemos um exemplo bem prático e atual: a mulher ao se casar recebe o sobrenome do marido como se fosse uma marca desta união, mas, hoje em dia os casamentos não têm a durabilidade que tinham, muito pelo contrário. Então porque adotar este formalismo se breve ela voltará a ter o seu verdadeiro nome e, talvez, volte a se unir a alguém? E daí?

        Nós hoje estamos preparando nossos filhos para o mundo, queremos que cada um busque o seu caminho, estabeleça a sua marca, encontre o seu lugar. Sabemos da nossa importância nos conselhos que damos para que atinjam sua maturidade e voem sem olhar para trás. Então como fica hoje uma regra nossa, antiga, que era motivo de orgulho para a família, quando o novo rebento chegava e o pai acrescentava ao nome as palavras Junior, Filho, Neto, Sobrinho, como se fosse uma marca de comportamento ou de conquistas no futuro. Quantos filhos se diferenciam diametralmente dos pais, seja no bom ou mal sentido? Que raios de personalidade própria sobreviverácom esta carga nas costas?

         A figura do professor então passou por transformações sem precedentes. Primeiro, deixou de ser a fonte do conhecimento para assumir o papel de indicador das proveniências do saber, mas com papel fundamental de dosar as quantidades e as sequências. Segundo, trava no seu cotidiano uma batalha silenciosa e solitária com pais, vestidos com as carapuças de zelosos com sua família, mas que, muitas vezes, são relapsos até mesmo nos seus deveres fundamentais, mas conseguem afastar o professor, que em muitas ocasiões, são as únicas fontes para os alunos de um comportamento ético, cordial, proativo, empreendedor.

        Mas o que tem deixado mesmo a nossa turma com os cabelos mais brancos ainda é essa tal de homoafetividade já que nos foi ensinado e repetido, desde sempre, que homem gosta de mulher e mulher gosta de homem. Mas acho melhor a gente rever os nossos conceitos porque para a molecada que vem vindo por aí, essa nossa verdade inabalável está completamente estremecida.




Sérgio Lordello


Um comentário:

Mary de Paula disse...

Excelente! E viva a geração que manda nos pais, ao contrário de antigamente