sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Mas que dificuldade!!!!!




 Se para os meus contemporâneos a chance de uma relação com o sexo feminino aumentou bastante em relação à geração anterior, tínhamos um problema muito sério para resolver: onde consumar isto? Não havia motéis na cidade naquela época, apenas alguns hotéis na baixada da Estação que serviam para as profissionais e também as “casas de raparigas”. Mas os nossos casos furtivos necessitavam de lugar discreto, dissimulado, escondido ou oportunidades preciosas oferecidas raramente por um vacilo dos pais da namorada.

Em compensação, numa época em que havia mais segurança para a população, raros casos de roubos ou assaltos, até os larápios ou bandidos eram conhecidos da policia, restavam-nos as esquinas mal iluminadas, os becos pouco frequentados, as estradas vazias da zona rural, a viela estreita que levava a alguma chácara, até mesmo na penumbra das arvores das praças mal iluminadas (que Deus nos perdoe), mas sempre com os olhos e ouvidos atentos para perceber a aproximação de algum transeunte desavisado.

Foi dessa forma que o Valtinho, com a perua “Variant I” emprestada de seu pai, daquelas antigas que tinham ainda o quebra-vento no seu vidro lateral traseiro, cujo formato retangular lhe rendeu o apelido de “Zé do Caixão”, faróis quadrados, pegou a menina e se dirigiu ao antigo Horto da Paulista, área rural onde a empresa ferroviária plantava eucaliptos sob a guarda de poucos funcionários, lugar perfeito para um encontro do tipo.

Discretamente, na escuridão da noite, adentrou por uma estradinha que descobrira em suas caminhadas semanais pela área, estacionou ao lado de um conjunto de arbustos, tentando esconder o veículo da vista de algum errante indesejado. E lá começaram a se aproveitar do anonimato do lugar, os dois no banco traseiro, roupa para lá, roupa para cá, num balé lascivo próprio para estes momentos, até que se aproximaram do ápice, na posição “papai-mamãe” (não me perguntem como é possível isto no banco traseiro) e foi, então, que um caminhante inoportuno e curioso, se aproximou sorrateiro pela lateral do carro, enfiou a mão pelo quebra-vento de trás e lascou um tapa, daqueles bem dados, na nádega dele, dizendo assim: - “Tá bom aí, né”? Ele então, num pulo só, ligou o veiculo, saiu em disparada pelas quebradas do horto, ainda pelado, a menina continuava no banco traseiro, na mesma situação dele e só vieram a se recompor já próximos da cidade.
 Até hoje ele tem um trauma desta sua aventura e jamais comprou outro automóvel com quebra vento na traseira.


Sérgio Lordello


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