sábado, 11 de junho de 2016

Rudolph e eu



        Rudolph era uma rena que sofreu um pequeno acidente quando era criança e a ponta de seu nariz passou a emitir luz vermelha sempre que uma situação diferente aparecia. Seu maior desejo era um dia puxar o trenó do Papai Noel, oportunidade que só apareceu quando o voo natalino num determinado ano foi ameaçado por uma tempestade de neve e ele então teve a grande chance de salvar o Natal.

        Já eu, tenho também um nariz vermelho, igual aqueles de palhaço, guardado no fundo de uma gaveta de meu armário para uso em ocasiões especiais, principalmente aquelas em que são geradas por atos que afrontam a ética, a cidadania, os direitos das pessoas, ou as que frustram a esperança e a crença de uma maioria. Usei-o algumas vezes na escola em que lecionava quando a ganância por quem tinha o poder nas mãos utilizava métodos nada republicanos para mantê-lo. Também cheguei a utilizá-lo na Prefeitura quando um dia, após minha equipe e eu, termos elaborado arduamente uma proposta inovadora e ver a mesma ser rejeitada pelo prefeito por motivos inexplicáveis.

        Mas, até então, poucas vezes me utilizava de tal recurso para demonstrar a minha indignação diante de um fato, mas hoje a frequência é tanta que me sinto um verdadeiro Rudolph, permanentemente com o nariz vermelho, mas desorientado para achar um caminho que me devolva à esperança. O pior de tudo é que todos nós sabemos que as pessoas citadas já demonstraram claramente quais são as suas intenções ao exercerem seus mandatos. 

            Por exemplo, o Sarney, muito mais de meio século lá, ex-presidente da Republica, n vezes no senado, sempre ao lado do poder, com sua família mandando no Maranhão, dono da maioria das praias ao redor da capital e todo o seu fiel eleitorado subjugado por este poder, sem uma educação adequada, sem segurança, sem um sistema apropriado de saúde, numa pobreza de dar dó. O mesmo se pode dizer de Renan, já que seu Estado apresenta os piores índices de qualquer estatística positiva elaborada no país.

        O que me assusta mesmo são as nuances jurídicas, os subterfúgios que utilizam para mascarar as verdades. Nada melhor nisso que o Cunha que se atêm as vírgulas,    aos pontos, a fragilidade moral de colegas, para driblar a justiça, seja nos prazos, seja para aliviar uma possível condenação.
        E não pense que é privilégio apenas dos que estão em Brasília, parece que é inerente à classe política, está no genoma deles, pois até na nossa cidade tem pretenso candidato utilizando-se de uma falha jurídica na elaboração de seu processo de cassação como salvo conduto para os seus desvios, como nos nossos tempos de criança quando nossos pecados ditos num confessionário limpavam a nossa consciência.



Sérgio Lordello

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