sábado, 14 de maio de 2016

Eu me demito




         Agradeço muito aos dirigentes deste jornal, “A Tribuna de Limeira”, a oportunidade que me deram em poder escrever as minhas opiniões numa das suas colunas, mas tenho que entregar o meu pedido de demissão, pois não estou conseguindo dar conta pelas mudanças que acontecem neste Brasil.

Vejam bem, normalmente, recebo uma mensagem do Danilo informando que sou o responsável pelo texto da próxima semana, então nas segundas-feiras, (dia da faxineira em casa) pego meu notebook e vou à biblioteca municipal e tento escrever os textos naquele ambiente inspirador. Tudo certo, mas nesta semana, dentro da minha rotina, comecei digitando sobre a votação do impeachment que iria acontecer daí a alguns dias. Estava quase concluindo quando fui dar uma olhada nas colunas sociais do celular (lembrando que na biblioteca não tem rede Wi-Fi ainda) e li que o maluco do presidente interino da Câmara Federal, um tal de Waldir Maranhão, havia anulado a sessão que abriu o processo de cassação da presidente.
Imediatamente deletei o texto e comecei procurar mais noticias sobre o acontecido, saber quem era o amigo do Sarney, para tentar elucidar a situação. Novo texto com muitos “elogios” a atitude inesperada e excêntrica tomada depois de uma “reuniãozinha” com o José Eduardo Cardoso que comecei a, vejam se pode isto, sentir um pouco de saudade do Eduardo Cunha.
Corrigi o documento, troquei algumas palavras por outras, agora  sem referências à mãe do ilustre, ainda fiz citações da imprensa internacional, coloquei os resultados da queda da bolsa, alta do dólar e o dei por encerrado. Na terça de manhã passei o texto pelo crivo da Solange, minha esposa, antes de envia-lo a redação e ela informou-me que o Renan tinha acabado com o delírio do Maranhão e tudo voltava ao normal. Nunca tinha me imaginado feliz com alguma atitude do Renan, já me vi colocando seu nome na lista dos meus super-heróis, por outro lado me senti encurralado sem saber o que fazer por, praticamente, não poder cumprir o apalavrado com o jornal.

Por tudo isto resolvi pedir demissão como cronista político da Tribuna. No Brasil não dá certo, as coisas mudam conforme os nossos políticos tomam um café no Congresso, ou suas amantes lhes sussuram num quarto de motel. Se o pessoal da redação quiser e se os leitores admitirem, escreverei, a partir de agora, somente sobre aventuras no rancho, as aprontações das turmas do Barzão ou do Bar do Toco, as traquinagens da juventude ou outras coisas mais confiáveis.


Sérgio Lordello

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