sábado, 18 de julho de 2015

Mundos diferentes


         Na Copa América deste ano, o jogador chileno Jara deu uma dedada (tipo assim: aquela que os proctologistas dão em seus pacientes homens) no uruguaio Cavani, no meio do jogo entre as duas seleções e, não contente, simulou uma agressão do jogador do Uruguai, cavando a expulsão dele de campo. O seu clube, o alemão Mainz 05, imediatamente o colocou a venda com a seguinte declaração de seu diretor: -“Nós não toleramos isso. Mais do que a dedada, contudo, o que veio depois me deixa furioso. Eu odeio jogador que faz teatro mais do que qualquer coisa”.
         O brasileiro José Maria Marin, que foi vereador, deputado estadual, governador de São Paulo, presidente da Federação Paulista de Futebol, presidente e vice da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), já havia sido flagrado embolsando uma medalha dos meninos do Corinthians, campeões da Copa São Paulo, foi preso junto com outros dirigentes na Suíça, sendo escoltado até a prisão. Continua detido até hoje. O deputado Paulo Maluf, com um currículo imenso nos meios políticos como prefeito, governador, varias vezes deputado federal, candidato a presidente da república, hoje está impedido pela Interpol (polícia internacional) de pisar em qualquer país de sua jurisdição correndo o risco de ser preso por uma série de delitos.
         Brooks Newmark, ministro britânico, pediu demissão ao saber que “teria” a publicação de fotos explicitas suas com uma jornalista do The Guardian, que teria se passado por uma ativista e inclusive sendo convidada a participar da conferência do Partido Conservador. Enquanto isto, no Brasil, em 2007, o atual presidente do Senado Renan Calheiros “parou” o Congresso por meses para se defender das acusações de ter as despesas da pensão de Monica Veloso, com quem tinha uma filha, por uma empreiteira que teria sido beneficiada com emendas de obras no porto de Maceió. Hoje volta a cena como um dos delatados do “petrolão”, ainda no mesmo cargo da época anterior
         Lá fora um pedestre, ameaça colocar o pé na faixa e todos os automóveis param dando preferência para ele. Já no Brasil, ou melhor, aqui em Limeira, um ciclista foi atropelado por um veículo, teve o seu corpo arrastado por mais de 150 metros e o motorista evadiu-se deixando o corpo estendido no chão. Em Tóquio, uma cidade de treze milhões de habitantes, o montante de três bilhões de ienes perdidos em locais públicos foi recuperado e devolvido aos seus donos.
         Já em nossa cidade partidos políticos indicaram para uma pesquisa de intenção de votos os seus candidatos sendo que dois deles estão inelegíveis, um por ter sido cassado do mandato de prefeito, no maior escândalo político da história do município e o segundo por uso de caixa dois na campanha.
Comparando tais atitudes com as de um país sério, será que isto não explica por que estamos no fundo do poço tanto aqui na terrinha como em Brasília?


Sérgio Lordello





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