quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Jovens sempre os mesmos


         Foi uma promessa que fizemos no inicio do cursinho: se entrássemos na faculdade iríamos todos viajar para Salvador. Ao longo do ano fomos acertando os detalhes, definindo a rota, guardando dinheiro, comprando apetrechos para o acampamento, até que finalmente saíram os resultados e todos nós conseguimos as vagas. O ponto crucial de todo o esquema eram as conduções, pois as únicas disponíveis eram os “fuscas” do Beto Savoi e do William Corrêa (Birbão) e só na hora de partir é que descobrimos que o Birbão ainda não havia negociado com seu pai a autorização para uso do carro.
 Óbvio que a negativa dele frustrou todas as nossas esperanças, mas o Newton (de Castro), inconformado, procurou o Dr. William e desafiou-o a dar crédito a seu filho, discorrendo sobre a boa formação dada por ele ao jovem, no que sua resposta nos deu certo alento: “traga seu pai aqui que decidiremos”. Noite de sexta, véspera do dia marcado para a saída e fomos todos procurar o Dr. Cayudi (pai do Newton) pela cidade apenas com a informação que fora numa seresta com amigos. Depois passarmos pelos lugares que ele freqüentava costumeiramente, fomos descobri-lo no antigo bar do Felizi ladeado pelos companheiros e os seresteiros Paraguai, Claudio, prof. Gonçalves e outros. Então apenas no outro dia de manhã o assunto foi resolvido e partimos para nossa aventura.
Depois de vários percalços durante toda a viagem, ela não poderia terminar sem o maior deles. Voltando, houve um desencontro dos dois “fuscas”, no trevo de Feira de Santana, e nos perdemos um do outro. No primeiro estavam o William, Newton e eu e no outro o Beto, Benhur e o Cesar Friaz, com a seguinte condição: todo o dinheiro nosso estava com eles. Ninguém sabia quem estava na frente, não havia telefones para contatos (celular, nem pensar), os postos rodoviários não tinham sistemas de comunicação, nem mesmo recados eram deixados de um turno para o outro. Somamos os trocados e eram suficientes apenas para a gasolina, então resolvemos seguir em frente mesmo sem notícias do outro veículo. Quase 24 horas sem sabermos dos outros, decidimos então ligar para o Dr. William em São Paulo, para não despertar suspeitas em nossos familiares e caso tivesse acontecido alguma coisa com os nossos amigos, saberíamos.
         Ligação ruim, quase inaudível, e o diálogo foi assim:
- Pai, tudo bem aí? Perdemos o carro.
- O que filho? Como? Perderam o carro?
- Não pai, foi o outro carro.....tu tu tu tu ....(caiu a ligação).


Sérgio Lordello


Um comentário:

Luiz Ricardo disse...

Muito boa!