quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Desculpe-me Selma, mas eu não sou elitista





         Sabe Selma, você é, para mim, o maior exemplo de que se for dada uma oportunidade para alguém e esta pessoa for consciente, ela pode atingir os seus sonhos. Foi exatamente isto que aconteceu, quando após participar do curso de informática que ministrei na escola para professores e funcionários lá pelos anos 80, você correu atrás de outros, estudou incansavelmente por conta e hoje é reconhecida como uma grande profissional da área na escola.
         Mas confesso que fiquei chateado quando você me chamou de elitista por ter mostrado certa euforia com a ida do Aécio para o segundo turno na eleição passada. Reconheço que o governo nestes últimos tempos proporcionou diversos avanços sociais para a população como as vagas nas universidades públicas, o financiamento nas particulares, o “Minha Casa Minha Vida”, Bolsa Família e etc. Todos estes programas visavam à distribuição de renda entre a população, mas eles deveriam ter sido feitos conforme a capacidade financeira do país para manter sua condição de estabilidade. Como a gente faz com o 13°, por exemplo, compramos alguma coisa mais consistente, um presentinho melhor, mas guardamos um pouco para as despesas de janeiro, aplicamos outra parte na poupança, fazendo um fundo para gastos inesperados. Hoje o Prouni e o Fies já foram revistos para se enquadrarem no ajuste econômico porque passa o país.
         Você viu o que eles fizeram com a energia elétrica e os combustíveis, não é? Os dois tinham um custo muito maior para as empresas que os produziam e, no entanto elas foram proibidas de repassar este valor para o povo, criando um clima falso de que estava tudo bem, simplesmente para que a candidata ganhasse a eleição. Conseqüência: após o pleito, esse déficit acumulado está sendo repassando para as nossas contas, indistintamente seja “elite” ou “plebe”, não importa.
         Você tem idéia do tamanho da Petrobrás? Ela tem 86.000 funcionários em 17 países, têm 7.710 postos de combustíveis, 326 navios, 21 usinas termelétricas, 15 usinas de etanol e biodiesel; vende 305 bilhões de reais/ ano e lucro líquido de R$ 24 bilhões. É um patrimônio de todos os brasileiros. E nós, hoje, estamos cansados das seguidas notícias, intermináveis mesmo, sobre a apropriação dos bens da empresa pelo partido da presidente (ou presidenta como ela quer) para simplesmente se manterem no poder. Hoje a Petrobrás está sendo cobrada pelo mundo inteiro pela total incompetência de sua gestão e seus autores ainda negam, atribuem a um “movimento difuso” para desestabilizar o governo.
Sabe Selma, no dia da nossa conversa eu tinha esperança que o nosso país voltasse a ser sério, que os avanços sociais continuassem com sustentabilidade, que viessem as reformas política, tributária, econômica, educacional. Queria que a esperança retornasse aos rostos dos brasileiros e que minhas netas tivessem motivos para se orgulharem de seu país.





Sérgio Lordello    


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