sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Onde começa a corrupção



         Bem no centro da cidade há um supermercado com amplo estacionamento, cuja área é totalmente tomada por veículos, chegando inclusive a se formar filas na parte interna e também pelas ruas, atrapalhando o trânsito urbano. Mas o interessante é que quando nós conseguimos adentrar ao mesmo, o número de clientes não condiz à quantidade de autos do lado de fora. Todo o dia é assim e, ao pesquisar com os funcionários, disseram-me que, por não ter controle, “cidadãos” estacionam seus veículos lá e saem para trabalhar ou realizar serviços na área central.
         Mas não é exclusividade deste estabelecimento. O shopping da região central, já convivia com limeirenses estacionando seus veículos lá para realizarem serviços externos e após a prefeitura ter instalado a Área Azul no paço, adotou a cobrança no seu estacionamento. Talvez pelo mesmo motivo, lá no Sempre Vale (onde nossa turma toma café todas as manhãs de sexta) colocou alguns seguranças nos dois estacionamentos para coibir esse uso abusivo de alguns cidadãos. Vocês nem imaginam a dificuldade em se achar uma vaga lá em datas como: Finados e Dia das Mães, por causa de seu vizinho.
         Outro dia estava na agência de um banco quando vi uma cena inusitada: um senhor chamava a atenção discretamente de uma criança que retirava as fitas de sinalização dos filas únicas, quando o pai (?) autorizou o filho a fazer tal coisa, bem como afiançou a sua ação e questionou o senhor se o mesmo não tinha sido criança um dia. A resposta foi pronta e inteligente: “Sim, mas minha mãe sempre me deu educação também”. Após o menino ter retirado várias das faixas e um pequeno entrevero, um segurança do banco chamou a polícia que deteve o pai (?) e o encaminhou para dar explicações ao delegado.
         Agora no final do ano outra cena interessante: estava concluindo minhas compras em outro supermercado (coisa de aposentado) para dirigir-me ao meu carro estacionado quando reparei uma jovem senhora colocando sua compra no porta-malas de seu veículo e estacionando o carrinho bem atrás do meu que coincidentemente estava ao lado do dela. E você sabe mulher como é, até achar a chave, guardar os óculos claros no fundo daquela bolsa imensa, descobrir onde está os escuros, abaixar o quebra-sol para retocar o cabelo e a maquiagem, ajeitar novamente os retrovisores, deu tempo para eu chegar com minhas compras, retirar o carrinho dela e estacioná-lo atrás do seu veículo, acionar o meu não sem antes escutar ela balbuciar alguma coisa sobre “lembranças à minha mãe”. Acredito que ela tenha sido aluna dela no passado.
         E ainda dizem que coisa errada existe apenas na Petrobrás.


Sérgio Lordello

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