quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

E eles foram apenas trombadinhas...

(www.bolgdoedgarribeiro.blogspot.com)

          Muitos tiveram seus nomes ligados à corrupção e desvio de dinheiro público na história de nosso país. Desde o mais emblemático deles, Paulo Maluf, que de tanto jurar que não tinha conta no exterior, acabou acreditando nisto, o único deputado federal de um país que se pisar fora dele corre o risco de ser detido pela Interpol; passando por Collor de Melo que foi destituído do cargo de Presidente da Republica por ganhar uma Fiat Elba de presente; chegando até nós, quando o então prefeito Silvio Felix foi cassado do cargo por suposto enriquecimento ilícito com a compra de inúmeros imóveis de forma incompatível com sua renda.
         Nós convivemos com este mal desde sempre, diria que ele é uma endemia epidêmica (?), pois sempre existiu (como a febre amarela na Amazônia) e se espalha por todo o país onde existam os seus dois vetores de transmissão: políticos corruptos e empresas corruptoras. O problema é que parece uma ação orquestrada pelos seus agentes para que a população vá perdendo a sensibilidade aos princípios que cada um aprendeu no seio de sua família com seus credos e valores, a ponto de, por exemplo, ouvirmos comentários favoráveis ao prefeito cassado numa comparação com o marasmo do atual.
         Esta indiferença que atinge a todos e afligem alguns, faz-nos enxergar com naturalidade a associação do político com a corrupção, permitindo certa promiscuidade entre o que é público e o privado. Só que, até agora a ganância dos agentes estavam dentro de montantes históricos e a população os tinha na conta de razoabilidade (“rouba, mas faz”). Mas diante das dimensões dos escândalos surgidos nos últimos 12 anos da gestão petista com o mensalão e agora com o assalto a Petrobrás, nós voltamos a ficar estarrecidos, voltamos a ficar indignados com a falta de caráter dos envolvidos.
         Quando ouvimos o montante da pilhagem de Pasadena onde metade de uma empresa é comprada por U$ 42 milhões e a outra por mais de um bilhão de dólares. Quando o doleiro da trama senta-se à mesa para fazer sua delação premiada e promete no ato devolver R$ 55 milhões de reais, temos a sensação que os políticos perderam de vez a vergonha. Estimava-se, inicialmente, que o rombo da petrolífera chegaria fácil a R$10 bilhões, mas conforme vai se apurando, talvez este montante fique muito acima disto.
         No entanto nós brasileiros não temos jeito, mesmo diante dos números e das tramóias que os partidos da base aliada do governo fizeram, entre eles PT, PMDB, PP, PR e etc., nós passamos a ficar com dó dos corruptos anteriores, começamos a tratar o Maluf e os demais de épocas anteriores, como aprendizes, inexperientes, verdadeiros trombadinhas.


Sérgio Lordello

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