quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Que ressaca!!!



         Espero que tenham reparado na minha ausência desta coluna nestas últimas semanas. Acho que foi porque estava de ressaca das bravas, mas não daquelas resultantes das bebedeiras de quando era jovem, daquelas que você não consegue nem identificar quem foi (ou o que foi) que lhe atropelou. Mas sim uma ressaca das coisas que aconteceram durante as eleições que me deixaram assombrados. Foi uma batalha em tão baixo nível que os adversários se tornaram inimigos, as mentiras viraram verdades e a insensatez tomou conta geral dos eleitores, que se esqueceram de discutir programas de governo.
Não sou petista, já tive certo entusiasmo pela sua proposta, sua organização e tinha admiração por alguns de seus membros, chegando a votar em alguns deles em eleições passadas, mas abomino a mudança radical de seus dirigentes: de escudeiros da ética, da moral e da retidão de caráter para simples usufrutuários das benesses do poder, com enriquecimento pessoal, apaniguamento de companheiros, aniquiladores do patrimônio público. O PSDB, por sua vez, tinha na sua vitrine para expor os vinte anos de governo em São Paulo onde deixou muito a desejar na educação, saúde e segurança.
Diante desse quadro que foi exposto aos eleitores cada um deles optou por uma escolha: o pessoal do norte-nordeste diante de sua frágil realidade, ainda com padrinhos, coronéis, castas, Sarney, Arraes, Calheiros, Maia, Magalhães, acostumados a uma fidelidade canina a detentores do poder, sempre relegados ao baixo nível de sua educação, controlada pelos poderosos, escolheram aquela que prometia tudo, mesmo sem o lastro de uma política econômica sustentável. Nós, da outra metade, sensibilizados pelos escândalos do outro lado, optamos por quem, talvez, tivesse condições de trazer de volta o país nos trilhos do crescimento.
Mas a minha ressaca adveio das conseqüências que essa divisão do país trouxe a todos. O medo de seu lado perder fez com as pessoas mudassem totalmente o seu comportamento, algumas com exposições jamais imaginadas, principalmente nas redes sociais. Por exemplo, no dia da eleição li na página de uma profissional médica a descrição detalhada da morte do doleiro Youssef por envenenamento. Nem o resultado final havia sido anunciado e havia um movimento pedindo o impeachment da presidente, logo mais e já se estabelecia a “veracidade” das fraudes em urnas eletrônicas. Pior ainda foi saber que alguns se articulavam para apoiar a volta da ditadura no governo.
O momento agora é de reflexão, bom senso e apoio às medidas saneadoras contra os maus políticos e lutarmos para que nosso país não se transforme numa Venezuela, Argentina, Cuba ou Bolívia. Isto é mais importante que as “Teorias da Conspiração”.


Sérgio Lordello


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