sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Minha posição nas eleições no Cotil



            Aos colegas:

         Breve, estaremos participando, com nosso voto, de uma “consulta à comunidade” para indicar uma lista tríplice de nomes ao reitor, afim de que o mesmo nomeie o nosso próximo diretor. Historicamente, e por respeito às tradições da Unicamp, o escolhido sempre foi o primeiro da lista, o mais votado. As regras da consulta estabelecem que o peso (proporcionalidade) dos votos dos professores valha três quintos, dos funcionários um quinto e dos alunos também. Tais diferenças se devem a, talvez, melhor capacidade de discernimento e ao tempo de permanência na ativa dos dois primeiros, por isto devem ter maior responsabilidade que os discentes.
         Em todas as unidades da nossa Universidade não se admite recondução, prova maior de respeito a tal regra deu o nosso atual reitor, que terminando o seu primeiro mandato, entregou o cargo, candidatou-se novamente e foi eleito com boa margem de votos, inclusive com grande parcela dos nossos. Espera-se que devido à alta formação dos docentes, único motivo de suas contratações pela Unicamp, sempre se tenha diversas opções para ocupar cargos diretivos nas respectivas unidades.
Por que não se deve quebrar esta regra na Unicamp?
Acredito que a grande contribuição desta norma é promover a alternância de poder, a universalização das oportunidades de disputa, com o consequente surgimento de novas ideias, novos projetos, percepções diferentes e evitar que se possa usar o poder do mandato para sua continuidade. É muito difícil concorrer contra um ocupante de mandato quando, por exemplo, ele próprio pode marcar a data da eleição, não fazê-la constar do calendário anual da escola, nomear ele mesmo a Comissão Eleitoral, definir o universo dos votantes entre os discentes e etc.
Caso se permita a reeleição, corre-se o risco durante a campanha ou mesmo antecipadamente a ela, apoiado no poder de que é investido, com colaboração direta de sua equipe de governo (por ele nomeada), usando da hierarquia em que está ungido, o candidato à recondução pressionar professores e funcionários, reunir-se extemporaneamente com seus subordinados, induzindo-lhes, muitas vezes, a uma fidelidade indesejada. Pode também transformar qualquer compra de equipamentos, montagem de laboratórios, troca de mobiliário, inclusão da unidade em programas da Universidade no rol de suas conquistas. Até a visita de pessoas, ligadas à administração da Universidade nas unidades, podem ser utilizadas como uma forma de propaganda e de demonstração de proximidade com tais dirigentes.
No caso dos Colégios Técnicos, temos que cuidar, além da formação técnica dos nossos alunos, também do exercício consciente da cidadania e a compreensão dos direitos e deveres da pessoa humana, do cidadão, do Estado, da família e dos demais grupos que compõem a comunidade e nada como aproveitar uma oportunidade impar como esta, de um processo eleitoral justo, para se discutir as necessidades, o exercício de democracia plena, de participação efetiva dos eleitores e dos jovens em especial. Não podemos correr o risco, nestas unidades, de que tenhamos um processo parecido com a prática partidária tão nefasta para a nação.
Preocupado para isto não acontecer no Cotil, nos últimos anos mantive contatos pessoais com o reitor atual no seu primeiro mandato, com o anterior também e ambos se comprometeram verbalmente a tomarem providências. E no processo de revisão do estatuto da universidade proposto para que aconteça no próximo ano, em seu projeto inicial apresentado recentemente à comunidade para coleta de subsídios, já consta no artigo 10º, parágrafo 2º, o texto claro proibindo a recondução ao cargo de diretor nos Colégios Técnicos. Na nossa ultima eleição marquei audiência com nosso diretor e pedi-lhe, na presença de todos os seus assistentes, que não fosse candidato e iniciasse um processo amplo de discussão para que encontrássemos um programa ideal para nossa escola e a pessoa que poderia conduzi-lo num ambiente de paz e harmonia. Não fui atendido.
Então, diante da possibilidade da terceira tentativa de recondução, antes que a própria Unicamp extinga esta prática única de nossa escola, procurando completar dezesseis anos consecutivos de mandato, hábito usual do nosso diretor, com mais de vinte anos como presidente da AEAC (Campinas), não vou recorrer mais a nenhuma estratégia que envolva dirigentes, principalmente neste momento em que requeri a minha aposentadoria.
Simplesmente espero que os colegas que vão continuar aqui tenham a exata dimensão do que é ser docente de uma universidade, principalmente da Unicamp e toda a responsabilidade que isto representa. Estar neste grupo seleto foi, com certeza, por mérito próprio do professor, que ao ser aprovado num concurso público, com diversos candidatos, mostrou a sua capacidade e dependeu exclusivamente de seu conhecimento para alcançar o seu objetivo. Mas junto com sua conquista ele herdou uma missão muito importante que lhe foi confiada pelo grande número de colegas que escreveram a história do Cotil colocando-o como uma das melhores instituições de ensino. Não foram poucas as vezes que tais colegas, historicamente, interviram de forma serena e tranquila para ajudar a colocar as coisas nos seus devidos lugares quando houve alguns desvios dos objetivos traçados.
Quero crer que os colegas atuais, muitos, jovens ainda, que tem um futuro extenso dentro da Universidade, de cujas atuações e posições, a continuidade da história do Cotil será escrita, tem pela frente uma escolha: a decisão se vamos efetivamente participar como membros da Comunidade Universitária da Unicamp, ou se continuaremos um apêndice regido por regras próprias.

Sérgio Lordello Duarte

Professor

4 comentários:

LU Calçados - Calçados finos, atendimento personalizado. disse...

Parabéns Prof. Sérgio pela clareza na exposição.
Espero que todos os colegas do COTIL leiam, entendam e demonstrem que não estão preocupados apenas com o próprio umbigo.

Um abraço,

Matioli

Carolina Messora Bagnolo disse...

Sérgio,

Belo e lúcido texto. Espero que, como "professora nova", tão criticada pela atual e eterna gestão, eu faça jus ao nome do Cotil. Forte abraço!

Pizani disse...

Sergio,
O texto está fabuloso! Concordo plenamente e espero que possamos construir um colégio democrático!
Abraço,
Rafael

Anônimo disse...

Vocês todos são tão... Extraordinários!

Espero que todos os alunos, professores e funcionários acordem e reajam perante a essa palhaçada que a atual gestão está fazendo conosco.

Não deixem que tirem sua voz, você é livre e tenho certeza que no fundo todos querem um COTIL melhor. Vamos todos votar por um COTIL que desejamos e não por um COTIL que receamos.

#JuntosNósPodemos
#VoteSemMedo
#PorUmCOTILAzul
#PorUmCOTILMelhor

Abraços,
de aluno que acredita na mudança. :D