quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Meu feliz aniversário


         De repente ouvi o grito do Ferrugem, amigo do Joca, morador na beira do rio, lá na Cascata,  pedindo que eu parasse o carro, quando passava na frente de seu rancho. Esbaforido, foi me agradecendo, feliz, dizendo muito obrigado e eu sem entender nada. Foi quando ele me explicou que eu citara o seu nome num dos meus artigos publicados aqui no Jornal de Limeira e sua irmã, moradora na cidade, leu, recortou o texto, emoldurou-o e levou-o para que ele o pendurasse na parede. (Foi assassinado meses depois).
         Lembrei-me disto porque nesta semana faz cinco anos que recebi o convite da Paula Martins para escrever nesta coluna do Jornal de Limeira, então quinzenalmente procuro estar presente com alguma crônica sobre o cotidiano da cidade, alguma crítica aos políticos em geral, as aventuras de amigos e conhecidos. No começo bateu uma grande insegurança sobre quem leria os artigos, se tocaria alguns leitores, já que jamais havia publicado nada. Conversando um dia com a Andrea Bombonati, ela relembrou-me de uma frase famosa: “escrever é um ato solitário”.
         Pode ser Andrea, mas os ecos que recebemos dos leitores, muitas vezes anônimos, que se reconhecem nas situações expostas, são extremamente reconfortantes para quem escreve. Como o senhor Laércio, primeiro diretor da Escola Lázaro Duarte do Páteo, que pressionou a redação atrás de meu telefone para discorrer, emocionado, a história da inauguração da mesma, após um artigo sobre as festividades do centenário de nascimento de seu patrono. Já a tia do Balanga (frequentador assíduo do Bar do Toco) arranjou sarna para se coçar, pois toda quinta-feira tem que procurar se o nome dele foi citado na coluna para ser a primeira a informa-lo.
         Que surpresa me proporcionou a Christina, irmã do Giocondo, que delicadeza, enviando-me um e-mail exaltando a companhia dos textos publicados no Jornal de Limeira que reuni num livro e lhe fez companhia numa noite no hospital, junto ao leito de morte de sua mãe. E o Gu do Banespa, galista dos bons, sempre que me encontra fala da crônica em que prometi abrir uma poupança, com meu irmão, para irmos à Tóquio em 2016.
         A Maria Célia certa vez disse na sala dos professores do Cotil que o bom dos meus textos é que se reconhecem os seus personagens. Talvez seja por isso que o pessoal lá da escola, ou do Barzão, ou ainda do Café Sempre Vale, todas as quintas, vasculham o Jornal para saber se não são os protagonistas das histórias contadas. Já quem exagerou no elogio, coisa só de primo mesmo, foi o Paulo Lordello, ararense de coração e paulistano por opção, enviou comentário no Facebook sobre o último artigo, relacionando-o a morte do mestre imortal: “nosso Ariano Suassuna da família”.
         Fico pensando que uma oportunidade dada, sem pretensões, levou-me a um mundo jamais imaginado. Agradeço à Paula e ao Jornal de Limeira por me proporcionarem tamanha satisfação tentando me comunicar com os leitores.
         Obrigado também a eles pelo carinho.


Sérgio Lordello



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