sexta-feira, 1 de novembro de 2013

O dia em que caí no golpe

(www.atualidadesdodireito.com.br)

         Ela mora há muitos anos na beira do rio, numa casa confortável, piscina e passa a maior parte do tempo escolhendo pedras graciosas para revestir as paredes dos cômodos, serviço que ela mesma executa. Vez ou outra, nossa turma vai para ao rancho quase vizinho do dela e quando o Tadeu, seu irmão, vai junto, vamos visitá-la e ela prepara muitos quitutes gostosos, de todos os tipos, para que fiquemos o maior tempo possível.
         Muitas vezes passamos longo tempo sem vê-la, mas certo dia, o Stanley e eu, a caminho do rancho, paramos no Bar do Romualdo (Pitangueira), para tomarmos uma cerveja, num fim de tarde, antes de prepararmos o jantar para a turma que chegaria mais tarde. Conversa vem, conversa vai, mais uma gelada, uma porção e chega o dono do bar falando que o Tadeu acabara de telefonar pedindo para que subíssemos correndo no rancho dela, pois alguém ligara para sua mãe dizendo que estava indo lá para matá-la.
         Correria, desespero, nós dois pegamos o carro, colocamos mais uma dupla de apoio e fomos ligeiro ver o que estava acontecendo. Lá chegando, tudo estava fechado, batemos palmas e nada. Começamos a gritar seu nome e nos apresentando, até que ela apareceu escondida entre as folhagens, chorando e se questionando porque tal barbaridade. Conversamos, tentamos acalmá-la e resolvemos levá-la ao nosso rancho distante uns mil metros do dela, pois lá o “facínora” não saberia onde ela estaria. O Stanley imediatamente foi levar os outros dois de volta ao bar e eu fiquei esperando ela arrumar suas coisas.
         Começamos a caminhada e lembrei-me que, por estar um pouco acima do peso, sua silhueta hoje estaria inconfundível para quem a olhesse por trás e seria muito difícil tentar camuflá-la pelo caminho, caso alguém se aproximasse. Desesperado, na passagem de um automóvel, obriguei o motorista a pará-lo e nos dar carona. Ela acomodou-se na frente e já foi abrindo o jogo para o condutor, falando sem parar. Só que o “maldito” dirigia muito devagar, a pé seríamos muito mais rápido, foi então que me passou pela cabeça que poderia ser ele o próprio “assassino”, pensei comigo – “pronto, mesmo jurando inocência, vou morrer junto” – e não tinha como escapar, pois só havia porta na frente e o vidro traseiro não abria.
         Graças a Deus o cara nos deixou na porta de meu rancho e imediatamente entramos. Logo depois, como naqueles filmes de faroeste, a “cavalaria” da Polícia Militar e da Civil, apareceu por lá, para ajeitarem as coisas. Na verdade alguém ligou para a mãe dela falando que tinha sequestrado sua filha e na sequência tirou os dados da mesma para tornar a história verossímil, como muitos casos que já aconteceram.
         Mas vou confessar uma coisa: por pouco, mas muito pouco mesmo, não precisei pedir licença para dar uma passadinha no banheiro e ver se não tinha acontecido uma desgraça.


Sérgio Lordello

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