segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Nua e crua realidade

(www.g1.globo.com/matogrosso)

         Lá foi palco de muitas reuniões da família nos últimos 30 anos. Não só, pois gerações de alunos do Cotil também realizaram churrascos de confraternização. Também nós professores, em incontáveis sextas-feiras, fizemos nossas “reuniões pedagógicas” regadas a muita carne e cerveja e de tantas histórias engraçadas, como a do saudoso Paulão que sempre me obrigava a ligar para sua casa, como se eu fosse o Zé Ulisses, seu diretor, convocando-o para a “reunião” naquela noite.
         O tempo passando, pouco uso, percebemos que a relação custo/benefício de nossa chácara nos recomendava a vendê-la e foi o que fizemos. A empresa interessada, primeiro buscou informações sobre as leis que regiam a área para construção de um empreendimento, depois fez um levantamento de todo os tipos de árvores lá existentes e se, legalmente, poderiam ser removidas. Estando tudo certo nesta fase, procurou informações sobre nós, proprietários, e exigiu certidões negativas em todos os cartórios, prefeitura, pendências judiciais, certidões de batismo, crisma, até diploma da Escola Remington, enfim revirou as nossas vidas para fazer o negócio.
         Dia destes fiquei imaginando como seriam os dados que uma empresa de grande porte, como a Mercedes ou Hyundai, buscaria para decidir se escolheria Limeira para montar um negócio bilionário. Com certeza olharia primeiro para a localização geográfica, potencial econômico, formação da mão de obra, qualidade de vida e etc. Todos os itens referentes ao setor privado, inerentes ao município, sua população, empresariado, serviços disponíveis.
         Com certeza, procuraria também informações sobre a atuação dos poderes constituídos, pois muitos aspectos em relação à instalação dependeriam da boa vontade e da atuação da Prefeitura e da Câmara. Então, assim como a empresa que comprou nossa chácara, encontraria nas manchetes de jornais, apenas neste ultimo mês, algumas situações interessantes: “Prada pedirá despejo da Prefeitura na Justiça” (16/10/13); “MP quer bloqueio de bens em processo contra Tércio (Secretario de Administração - 04/10/13); “Juiz recebe 4 ações penais contra Félix” (ex-prefeito - 07/11/13); “Prefeitura ignorou preço 66% mais barato” (CPI da dengue – 19/10/13); “Zeuri substitui Marco Aurélio na Saúde” (interino do interino – 18/10/13); “Félix irá à CPI do Aeroporto” (01/11/2013); “Aberta ação; Zeuri é réu em Rio Claro” (04/10/2013); “Iracemápolis apresenta nova logomarca” (Com custo zero, projeto foi feito em parceria com faculdade – 19/10/13).
         Na Câmara também não seria diferente: “TV Câmara custará R$ 8,8 milhões” (03/11/13); “O corregedor Jú Negão instaurou oficialmente o processo administrativo contra os vereadores Zé da Mix e Dr. Júlio” (29/09/13).
         -“Não é melhor procurarmos outra cidade para nos instalarmos?”.


Sérgio Lordello

Um comentário:

Coppi disse...

parabénss, excelente !!! dura realidade, ate Iracemápolis, antiga e saudosa e carinhosa Bate-Pau, esta trazendo industrias de peao como a Mercedes,. logo, logo tera umq receita maior q a de Limeira