quinta-feira, 27 de junho de 2013

Os meus vinte centavos



         O que está acontecendo? Por que os jovens que pareciam alienados, de repente, saem às ruas reivindicando uma série de coisas? Por que a população de um país que teve, nos últimos anos, vinte milhões de pessoas tiradas da extrema pobreza, se revolta contra a ordem e os bons costumes.
         Eu não sei os motivos deles, mas conheço muito bem os meus para participar de uma passeata e mostrar toda a minha indignação com o que estão fazendo com o meu país e minha cidade. Minhas reinvindicações não são apenas sobre o aumento da tarifa do transporte coletivo, apesar de compreender a importância dele no cotidiano de uma parcela grande da população, pois sei que mais pessoas serão excluídas do sistema, outras terão que abdicar de alguns confortos recentes pelo seu orçamento parco.
         Eu fui protestar contra o comportamento da classe política que se tornou uma casta em nosso país onde tudo é permitido, tudo é possível, onde os valores éticos que passamos para os nossos filhos e, no meu caso, também para meus alunos, simplesmente não existem ou são desconsiderados.
         Mas eu nem gostaria de citar o mensalão, a PEC 37, os estádios da Copa, a inflação e muitos outros mais. Prefiro me ater às coisas próximas de nós, que acontecem aqui mesmo em nossa cidade e que mexem diariamente com o nosso cotidiano. Eu quis protestar porque não consigo apresentar à minha neta de quatro anos o zoológico da minha cidade, fechado há vários anos. Também não consigo mostrar-lhe a fotografia de seu tataravô que deveria estar dependurada nas paredes do museu também fechado para reformas.
         São tantas as coisas que vimos nos últimos tempos e que, infelizmente, ainda continuamos vendo que nos causa indignação: não deram espaço para pedestres e ciclistas num viaduto; comemoramos há pouco o décimo aniversário de um aeroporto deserto; obras e mais obras que precisam ser refeitas; ônibus que cheiram à maresia.
         Quando a população, machucada pelas atrocidades promovidas pelo antecessor, elegeu o atual governo, buscava respostas rápidas para seus anseios, clareza nas propostas, discernimento nas alianças enfim acolhimento de suas esperanças. Ela também tinha consciência das dificuldades que o novo prefeito teria no inicio, mas passados seis meses ainda não recebeu (ou percebeu) as mudanças que esperava. Para mim, o grito dos manifestantes defronte à prefeitura vazia foi claro: está na hora de mostrar serviço e ser sensível aos apelos populares.


Sergio Lordello

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