sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Tempos modernos



         Nada a ver com filme estrelado por Charlie Chaplin, nem mesmo quero me meter nos assuntos da mestra Cenir Montanher, mas sim com a realidade atual que encontramos nos ambientes escolares onde o aluno não dispõe mais de espelhos para refletir o seu comportamento. E olhe que estas observações são de um engenheiro que, por motivos genéticos, tornou-se professor.
         Dias desses um aluno acidentou-se com certa gravidade ao realizar uma atividade esportiva. A escola providenciou o transporte especializado para o atendimento, entrou em contato com os pais e surpreendeu-se com a indisponibilidade deles, no momento, em ir até o hospital por outros compromissos. Acompanhei situação semelhante quando uma aluna sentiu-se mal num sábado à tarde, fui junto ao hospital e fiquei aguardando a presença dos pais (separados) para autorizarem os procedimentos médicos necessários. Depois de mais de três horas de espera, ela recuperada, fui embora sem ter tido o desprazer de conhecê-los.
         Esses mesmos pais, que negligenciam na educação dos filhos, são geralmente os primeiros a culparem professores e direção de escolas, pelas notas baixas recebidas pelos filhos, pelos insucessos deles na vida social, acadêmica ou profissional. Esquecem que a formação deles passa por exemplos que devem ser dados dentro de casa, que os filhos são reflexos do meio em que vivem.
         O professor, por sua vez, diante do quadro de animosidade entre as partes envolvidas no processo de educação, sendo a parte mais frágil desse conjunto, tem se afastado do lado maternal (ou paternal) dessa relação, deixando o aluno órfão de exemplos de formas de relacionamentos, ética, cidadania e honestidade.
         Por treze anos seguidos da minha vida organizei, junto com colegas, passeio a pé com os alunos, de dez quilômetros, que transcendeu os limites da escola e atingiu toda a cidade, sempre com o apoio do Jornal de Limeira: “Tatu a Pé”. Feito sempre na base da raça, algum improviso, com pouquíssimos recursos, conseguíamos levar alunos, pais, professores, escoteiros, esportistas de fim de semana, ciclistas, cavaleiros e curiosos (uma multidão).  Uma das atrações era alunos brincarem descendo uma rampa íngreme no asfalto perto do bairro do Tatu, com carrinho de rolimã, em alta velocidade, uma verdadeira loucura. Apesar de exigirmos os equipamentos de segurança e sempre haver uma ambulância cedida pela Prefeitura.
         Hoje jamais lideraria um evento desses, pois o clima instalado com os pais, repressão das direções de escolas, o ECA, ministério público, imprensa não perdoariam um arranhão, uma luxação, ou até mesmo alguns pontos na molecada perto dos dezoito anos e com quase um metro e noventa de altura.
         Nem de jeito nenhum.

Sérgio Lordello


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