sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Tecnologia, para que te quero




         Sei que a tecnologia está mudando tudo em nossa existência, melhorando cada vez mais nossa qualidade de vida, aumentando a nossa expectativa de sobrevivência e dentre as muitas formas de sua presença no nosso dia a dia, temos que reverenciar o uso do celular.
Mas, contudo, perdemos um pouco o charme da espera em falar com a namorada distante, ou o dia todo aguardando ligações cumprimentando-nos pelo aniversário. Eu, particularmente, tinha verdadeira obsessão por ligar a cobrar para os amigos quando estava de férias, viajando ou num boteco famoso. Sempre achava um orelhão, discava os números e aguardava o fim da música característica para falar “meu nome e a cidade de onde estava falando”.
         Numa delas, a caminho da praia da Enseada, liguei para meu irmão na Varga. Como ele não estava, expliquei para seus funcionários a situação e pedi que lhe informassem. E não deu outra, segurando o riso, disseram:
         - Sr. Sillas! O seu irmão ligou e disse que estava na praia com uma dúvida terrível, não sabia se pedia uma porção de camarão ou isca de peixe para acompanhar a cerveja e pediu a sua sugestão.
         Noutro dia, a turma toda estava numa Praça de Itirapina, pois fomos passar o fim de semana no Broa e resolvemos ligar para o Daniel. Novato ainda na escola, não tínhamos muita liberdade com o mesmo e lá fomos nós. Primeira tentativa em vão, segunda idem e na terceira ouvimos uma série de referências as nossas mães e também para irmos para algum lugar que não me lembro mais onde seria.  Somente meses mais tarde ele ficou sabendo por algum fofoqueiro do grupo e até hoje insiste ainda em pedir desculpas pelo acontecido
         Já com o Marcão foi diferente. Madrugada de sexta, nosso Tricolor ficando bicampeão do mundo em Tóquio e, possivelmente seria o único conhecido acordado. Ele não estava em casa e quem me atendeu foi a secretária eletrônica. Coitada. Excitado pelo resultado, descarreguei uma lista enorme de palavrões, impropérios, xingamentos, injúrias, todos os que eu conhecia.
         Na segunda, já de volta, sentado à mesa almoçando com a família, a empregada chega e diz:
         - Olha Sr. Marcos, eu não sei o que o senhor fez, mas tem um homem bravo com o senhor no telefone. As coisas que ele falou eu acho que até Deus desconhece!
        
Sérgio Lordello
Professor

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