domingo, 24 de junho de 2012

Boi pintado com boi pintado


          O “Mazico” Bueno, meu ex-sócio, sempre que queria se referir a pessoas que tinham comportamentos diferentes daqueles que o nosso grupo achava normal, habitual, proferia a frase por ele atribuída ao seu saudoso pai Oscar: “Boi pintado com boi pintado e boi preto com boi preto”. Inúmeras vezes, fosse numa reunião na empresa ou num fim de tarde no Bar do Miltinho (irmão do Dr. Julio), logo vinha ele filosofando sobre as pessoas que sempre fizeram parte de um grupo, têm arraigado os mesmos costumes, valores, atitudes, hábitos que dificilmente conseguiriam conviver (ou sobreviver) em outras alianças.
         Semana passada, encontrei-me com o Pejon num café da cidade e pudemos relembrar os velhos tempos do nosso primário no Coronel Flamínio, com as professoras da época, seu Otávio nosso diretor e recordamos nomes de alguns contemporâneos como José Renato Araujo, Sérginho de Lima, Marcio De Lucca, Paulo Corrêa, Vicente Puzzi, Ricardo Galzerano, José Jorge Chamilete, Misael dentre muitos outros.
         Após, ele foi para o Castelo Branco e nos separamos. Viemos a nos reencontrar, muitos anos depois, durante o governo Khüll, quando fizemos parte daquela equipe. Lembrei-me de um de seus ótimos trabalhos à frente da Secretaria da Habitação quando ele e sua equipe começaram um processo importante de regularização dos imóveis dos conjuntos habitacionais. Depois, ele assumiu a Prefeitura, desenvolveu inúmeros projetos. Trabalhamos juntos por mais algum tempo e então voltei para a vida acadêmica.
         Quando li, na época, no Jornal de Limeira a sua nomeação para Chefe de Gabinete do governo cassado, fiquei me questionando sobre as razões da sua atitude. Foi uma ação de mão única, favorável apenas à Felix, pois Pejon, com sua experiência e capacidade, passou a ser o responsável pelas articulações com secretários e solução de entraves administrativos e políticos, coisa que o prefeito da época tinha dificuldades com seu jeito centralizador. No entanto, acho que só agora, depois de tudo o que aconteceu, ele (e mais alguns que tentaram embarcar na ultima hora) deve concordar com a tese do “Mazico” de que “boi pintado deve andar com boi pintado e boi preto com boi preto”.

Sérgio Lordello


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