quinta-feira, 2 de junho de 2011

Suely

(senado.gov.br)

        Ouça cara amiga. Aqui ao seu lado um grupo de pessoas chora por você. Cada uma traz dentro de si a esperança de que este pesadelo termine logo e que juntos possamos ver o por do sol que não tarda a chegar.

         Como fomos tolos em deixar que o burburinho da vida nos aprisionasse, fazendo cada um buscar o seu caminho de forma egoísta e individual. Aqui, ao seu lado, percebemos que por mais que tenhamos tentado fugir, as nossas raízes já estiveram juntas, caminhando lado a lado.

         Ouça, cara amiga. Se a vida fosse um filme, hoje estaríamos reprisando a nossa juventude, precisamente à saída do cursinho, num sábado, o mesmo grupo, sorrindo e correndo para pegar carona no velho “Corisco” do Zé Eugênio ou no aristocrático “7070” do Beto, já com a extensa programação de festinhas, bailes e encontros para preencher o fim de semana.

Você, além de sua beleza indescritível, exibia uma alegria de viver, uma disposição que contagiava o grupo. Em nossas fossas coletivas o seu sorriso e suas ideias, até quase ingênuas, transformavam o ambiente. Tudo virava animação e sorrisos.

         Ouça, cara amiga. Desculpe-me por estas recordações, mas não posso esquecer o meu simples aniversário que você transformou em algo inesquecível. Dentro daquele vestido longo, preto, o brilho dos seus olhos ofuscava a todos com tanta felicidade. Embalamo-nos numa valsa e pudemos sentir a leveza das nuvens e o encanto dos céus.

         Não menos maravilhosas foram as noites que passamos juntos na boate do clube. Foram inúmeros sábados nos quais além de chorarmos no ombro amigo pelas nossas desilusões, sentimos as fortes emoções que uma simples amizade despertava em cada um.

         Ouça, cara amiga. Quisera que fosse hoje um dia qualquer daqueles tempos, pois então não estaríamos à sua volta, mas sim em torno de uma mesa no Felizzi, com um chope que sempre acabava cedo e uma porção que nunca vinha. Provavelmente falaríamos mal dos professores, escutaríamos uma piada do Cesar, riríamos com alguma brincadeira da Tereza ou então ouviríamos os seus sonhos e devaneios.



Suely Fior Godói e Claudete Silva, foram as pioneiras no campo da decoração de interiores  em Limeira.  (+ 02/06/87)

Sergio Lordello

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