quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

TPM

      
          Não se trata daquele período mensal que todas as mulheres passam e que elas mesmas não se aguentam e que nos deixa, os maridos, completamente desorientados.  E também não estou querendo me intrometer em assuntos de medicina, área do Dr. Júlio aqui no Jornal. Mas sim de um programa que ajudamos a implementar na Prefeitura na virada e início do século: Manutenção Produtiva Total.
         Era uma frota de duzentos e vinte veículos e máquinas que estava sendo renovada, por ordem do Prefeito. Grande parte dela estava em péssimas condições de uso, muitas paradas por quebra, custo de manutenção altíssimo. Primeiro priorizamos as secretarias em três níveis, por importância de atendimento à população: A (Saúde, Guarda, Bombeiros);  B (Educação, Obras...) e C (Esporte, Turismo...). Com isto a empresa (de Limeira), que fazia a manutenção, já sabia quais veículos consertar primeiro.
         Ao mesmo tempo adotamos um cartão em cada veículo em que, diariamente, o seu motorista tinha que preencher após verificar a pressão dos pneus, os níveis de água e óleo, ou alguma anomalia. Duas medidas inconsistentes seguidas geravam uma ordem de serviço (OS) para checar o problema na oficina. Ao mesmo tempo, cada abastecimento era autorizado por uma requisição em que uma via retornava do posto com as quantidades, valores e a quilometragem. Todos os motoristas receberam o devido treinamento sobre o processo.
Tais dados eram repassados para uma ficha de controle de cada viatura (software) em que acompanhávamos o consumo (km/l) e sua quilometragem além, é claro, dos seus custos. Qualquer variação significativa nas médias dos índices poderia indicar problemas mecânicos ou uso indevido (desvios). Com o controle da quilometragem estabelecíamos uma programação de parada dos veículos para manutenção, conforme indicavam os seus manuais do proprietário. Cada secretaria recebia, no mês anterior, esta programação com o dia e hora para levar à oficina, com isto elas poderiam negociar, com as demais, as suas necessidades de deslocamento.
Apesar das Ordens de Serviço serem emitidas pela então Secretaria de Obras e Transportes, a empresa contratada orçava e cada secretaria de origem precisava aprovar, pois as verbas eram de suas dotações orçamentárias.  Em caso de manutenção corretiva (quebra imprevista) os procedimentos eram diretos com a oficina.
Bimestralmente era emitido e enviado para cada secretaria e Gabinete do Prefeito um relatório com as especificações de todos os gastos por veículo e por unidade gestora. Também, a cada  semestre, era elaborado um documento com as totalizações dos gastos individualizados, número de horas paradas, por viatura,  por Secretaria e, importante, o valor de mercado da mesma.
Com o programa conseguimos reduzir os custos de manutenção e o número de veículos parados. Mas foi apenas uma questão de gestão.

Sérgio Lordello

2 comentários:

A Moça. disse...

"Apenas uma questão de gestão". Gostei. ^^'

marido de aluguel disse...

Os cuidados com a coisa pública devem ser assumidos por todos os funcionários não importando o escalão, o aprendizado deve vir muitas vezes através de normas rígidas e controles. Parabens. Excelente a analogia com a TPM feminina, dá tanta dor de cabeça e causa tanto transtorno, mas temos que aprender a lidar com esta fase. O nosso empenho em agradá-las é o melhor resultado para amenizar esta fase.