sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Mercedes e o vale-pedagio

(vingadorpublicon1.blogspot.com)

         Entre as escolas de Limeira, talvez o Cotil tenha sido aquela que mais professores cedeu para a Prefeitura em sua história. Sejam como secretários, diretores, até um ex-prefeito e deputado estadual, saíram de suas fileiras. Para nós colegas, sentimo-nos orgulhosos quando vemos os mesmos serem nomeados, pois podemos saber um pouco das coisas que acontecem dentro do poder público.
         Quando lá estive, tínhamos que instalar o pedágio da Limeira- Cordeirópolis, já que a lei tinha sido aprovada no ano anterior, para coibir a fuga de caminhões da Anhanguera. Os dois prefeitos não queriam muito saber da sua instalação, mas a lei assim exigia. Surpresa maior foi saber que o mesmo era superavitário (e como).
         Lá no Cotil, uma de nossas companheiras é de Rio Claro e precisa passar todos os dias por ele. Pelo seu sobrenome de origem otomano, tinha a fama de ser “segura”, e era motivo de muitas brincadeiras na sala de professores.
         Um dia, numa tarde quente e preguiçosa, lá estavam a conversar o Gracioli e o Marcão. Enquanto saboreavam um café, ela adentrou a sala. Falavam sobre assuntos banais e, de repente, um deles questionou se o outro havia recebido o “Valepeda” do Sérgio. Curiosa ela questionou sobre o que era e eles explicaram que era um cartão, um vale-pedágio, que permitia a passagem pelo mesmo sem pagar a tarifa, interessante para ela que morava fora de Limeira também.
         Imediatamente telefonou para mim, questionando porque ela não recebera. Pego de surpresa, tentei explicar que devia ser uma brincadeira deles e que aquilo não existia, no entanto ela se recusava a acreditar. Para dar mais veracidade à história, eles arranjaram alguns cartões usados por caminhões de Limeira ou Cordeirópolis e, alguns dias depois, mostraram a ela como se fosse o dito cujo.
         Ela, inconformada, passou a questionar todos que encontrava pela frente, achando que estava sendo enganada por mim. E não é que muitos deles, sabendo do “golpe”, confirmavam o recebimento. Depois de uma semana, em fila indiana, foram até a sua sala e entregaram um “xerox” do mesmo cartão. Ela quase enlouqueceu, discou para meu telefone e falou cobras e lagartos sobre a minha falta de lealdade para com ela e que iria questionar também o diretor.
         Quem conhece o Pena (diretor na época) sabe que não é gente na hora de brincar. No instante que ela adentrou à sua sala, toda esbaforida, vermelha de raiva, ele tirou um carnê com os vales que havia comprado dias antes, atribuindo a sua entrega a mim.
E para piorar ainda mais a situação, encontrou o Gracioli no retorno a sua sala e tentou se consolar com o mesmo, quando ele disse:
         - Sabe Mercedes (seu nome) não quis lhe falar antes, mas o cartão que ele me deu, na verdade é o “Valepeda Gold” que permite passar pelos pedágios da Autoban também.
         Nem preciso dizer que terminou ali uma amizade de muitos anos. Para que a reatássemos foi preciso muito tempo e muitas explicações dos colegas para convencê-la da minha inocência.
         Hoje ela já tem tempo para aposentar, mas não quer saber, de jeito nenhum, talvez para desfrutar um pouco mais e relembrar as brincadeiras que fazíamos uns com os outros.
         Bons tempos aqueles.



Sérgio Lordello

Um comentário:

Lordello disse...

Pobre Mercedes, justo nas mãos de quem foi cair!!! kkkkkk