sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Bar é cultura

         Isto já dizia o Carlito da Floricultura.
         Apesar de nossas mulheres detestarem que nós freqüentemos, é um lugar onde as preocupações do trabalho não entram e muito menos os problemas domésticos. É uma hora em que seu único compromisso é rir das brincadeiras que lá fazem os seus frequentadores. Basta usufruir com moderação, como diz a frase das bebidas
         As histórias são muitas, aliás, cada um tem várias delas que vão ficar vinculadas somente à memória de seus clientes. Na Praça das Palmeiras, tempos atrás, existiam diversos bares tradicionais, sendo um deles o do Bonelo que, mais tarde, transformou-se no Bar do Negão. Num determinado ano a turma decidiu comer canja de galinha no carnaval que se aproximava. Arranjaram duas galinhas velhas e resolveram improvisar um galinheiro na antiga cancha de bocha desativada. Tudo certo e ficaram as duas sendo alimentadas com a ração comprada no Mercado com o dinheiro de uma caixinha.
Passaram-se um, dois, três dias e no quarto foi o Negão alimentar “as meninas” quando percebeu um ovo no chão. No dia seguinte a mesma coisa. Ele entusiasmou-se e contou para todos os fregueses que uma delas estava botando. Os mais experientes até recomendaram uma ração própria para poedeiras, o que ele seguiu à risca. E foi assim por  uma semana inteira, cada dia um novo ovo. O carnaval se aproximando e ele já estava querendo comprar outra galinha para preservar a “Gertrudes”, seu novo orgulho.
No dia da morte anunciada, abriu o bar e correu para alimentar o seu tesouro. Pegou o saco de ração, abriu a tela do galinheiro, chamou-a com todo carinho: -“Gertrudes, Gertrudes”. Procurou pelo ovo diário e lá estava ele, mas com uma diferença: este era todo colorido. Imediatamente passou a remexer num monte de quinquilharias, entre cadeiras quebradas, caixas de vasilhames, que guardava na cancha desativada e, de repente, encontrou a prova do crime: num saquinho de papel com o logotipo da Avícola Deon, lá estavam os cinco ovos coloridos restantes da meia dúzia comprada por algum malandro.
À tarde, cada freguês que chegava, antes de pedir sua bebida preferida, entregava-lhe um ovo colorido de presente. E ele, até hoje, não conseguiu descobrir ainda quem foi o “safado do gozador”.
 Pelo menos é o que dizem por aí.

Sergio Lordello
professor

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